sábado, 13 de dezembro de 2014



Perguntei aos jovens o porquê de terem escolhido o nome do Grupo de "Utopia Jovem" , logo ao expor este extraordinário termo, em destaque, numa folha de papel no centro da roda. Um dos jovens presentes respondeu que a escolheu deu-se pela motivação de que os jovens não podem parar de sonhar.
Lembrei-me, a partir desta resposta,de uma historinha (metáfora) que aconteceu, certa vez, em um pequeno povoado onde morava um jovem o qual todo os dias costumava ir a um campo e, de lá, jogar pedras para acertar a lua. Muita gente, inclusive seus amigos costumavam observar aquela pessoa jogando pedra para o alto. Alguns o indagavam, só para o ouvirem dizer: " Quero alcançar a lua" e, debochavam do rapaz, chamando-o de louco, lunático etc. O tempo passou. Assim, todos os dias o jovem fazia sua atividade: Jogar pedra para alcançar a lua. Até que um dia qualquer foi chamado para participar de uma competição em um torneio cujo objetivo seria quem arremessaria pedras com maior distância seria o vencedor Nem preciso contar o resultado, mas vou dizer: nenhuma outra pessoa teria condição de jogar pedra tão longe como ele.(Não conheço o autor. Adaptação minha). Contei esta metáfora para ajudar os jovens a entender o verdadeiro sentido da utopia, visto que nestes tempos de idealizações impostas pelo capitalismo, de busca intensa pelo viver com inescrupulosidade no aqui e agora, perdemos o sentido da utopia. Essa palavra que vem do grego significa "lugar que não existe" traz um sentido maior. Para alguns, por um lado, toma como perca de tempo. Para outros, como motivação para viver. É sobre este ultimo que decidi conversar com o grupo de jovens da Pastoral da Juventude. Afinal, só em, os jovens, terem escolhido o nome do grupo de utopia me entusiasmou. Mas, para que idealizar algo se "Não existe em algum lugar? Perguntei, também: Seria possível aquele rapaz (da historinha) alcançar uma pedra na lua? Obviamente, não! Mas, porque é tão importante? A resposta está no resultado do torneio que ele participou. Gosto de falar de sonho juvenil, porque se faz necessário nestes tempos em que os sonhos coletivos de transformação social são substituídos pelos sonhos privados de uma vida feliz, como se não vivêssemos num situação que chamamos de realidade a qual, alguns privilegiados, querem separá-la da busca pelo ideal. Eu diria que a realidade é um mesmo barco onde todos nós estamos dentro. Cada um remando para direções divergentes só complicará a vida de todo mundo. Não podemos deixar de sonhar por um mundo melhor. Isto significa aprendermos a remar na mesma direção para alcançarmos uma sociedade melhor. Embora não chegamos à ilha imaginária de Thomas Morus (1477-1535), o lugar ideal para se viver chamado de utopia. Mas, remando, quem sabe podemos alcançar o lugar possível apregoado por Karl Marx. A ideologia burguesa tenta nos impedir de sonhar, mas precisamos resistir. Os jovens da pastoral da Juventude devem, sim, ser utópicos, porque continuam com a missão de Jesus: Construir o Reino, começando aqui na terra. Os jovens dos movimentos sociais devem, sim, ser utópicos, porque assumem uma militância a fim de construir uma sociedade socialista ou comunista. Assim, fazemos como nos diz Galeano em um belo poema: "A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar" . Portanto, prefiro ser chamado de louco-utópico caminhando do que lúcido-realista com os pés sem saírem do lugar.



Sobre o autor
Ernande Arcanjo é assessor da Pastoral da Juventude, Militante na Consulta Popular e estudante de Serviço Social
ernandearcanjo.blogspot.com.br

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