sexta-feira, 12 de dezembro de 2014



Lia "A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado", de Engels, um livro velho, mas todo intacto, encontrado, por acaso, em um "cebo" no Centro de Fortaleza, foi quando, de repente uma voz aguda ressoou em meus ouvidos: " É de filosofia?". De subido, virei à frente do livro e mostrei o nome do autor e título, visto que a minha resposta, poderia não ser condizente.
O homem de barba destacada e branca, rosto que acenava ter mais de 40 anos, não esperou alguma palavra minha, logo começou a relatar acerca da vida de Engels quanto a sua relação com Marx. Disse ele que o primeiro sustentava economicamente o segundo, uma vez que Marx era pobre e Engel tinha mais poder aquisitivo. Ao ouvir isto, me veio a mente uma certa indagação: "Mas porque ele vai falar logo da contribuição econômica que Engels deu a Marx e não do quanto a ajuda mutua no processo de estudo e outras coisas?". Pensei isto, porque a relação dos amigos foi de grande significado não só para eles, mas também para toda a humanidade. Só o trabalho teórico-prático que os dois desenvolveram em torno da sociedade capitalista, apontando um novo caminho a sociedade foi de relevância extraordinária. Enquanto ouvia aquele senhor, uma adolescente passando de bicicleta, foi alvo de um comentário do mesmo o qual conversava comigo. Ele leciona numa Escola do Município. O adolescente era seu aluno me relatou como para mais duas pessoas a espera do ônibus que o aluno nada "queria da vida", posto que não se interessava pelos estudos estudos. O professor estava com um montante de papeis nas mãos. Me mostrou uma prova com perguntas fechadas. Nunca acreditei que as avaliações exigidas pelo estado seja capazes de perceber o grau de conhecimento do educando. O senhor acrescentou dizendo que os alunos que não "querem nada"deveriam ser todos expulsos. Esta afirmação do professor me incomodou muito. Perguntei "Você acha que o indivíduo é culpado? Não seria as condições do meio que o faz ser o que é?" O Professor respondeu que muitos agem assim, porque querem, mesmo. Rebati dizendo que precisamos fazer uma leitura não só das particularidades do que acontece, mas também da totalidade. Isto significa entender a sociedade capitalista analisada pelo filosofo, sociólogo e ativista alemão, Karl Marx . Ainda, falei que, segundo dados de pesquisa recente, a cada duas horas morre um jovem negro no Brasil. Seria consciência a maioria ser pobre. Ele indagou que a implementação das políticas voltadas para os negros só separa ainda mais, porque isto diferencia e fortalece ainda mais o racismo. Sabemos que a ideia de igualdade é uma falácia na sociedade capitalista, o sistema é cruel... As políticas afirmativas, assim, tornam-se um mínimo necessário. Durante o bate-papo entrou uma discussão a cerca dos índios, quando ele falou que os índios devem se inserir na sociedade civilizada, trabalhar nas industrias, consumir etc. Falou que não é possível que os índios vivam mais nus e da pesca. Eu disse que, para o povo indígena a questão da identidade vai alem disso, pois há resistência na preservação de todo um conjunto de valores culturais, políticos e econômicos. Depois que o "educador" falou-me já ter feito mestrado e doutorado... senti-me mais a vontade para, no interrompimento da leitura de Engels, um papo Maxista na parada de ônibus. Fiz uma pergunta bem objetiva: "Você é positivista?"Ele disse: "È o jeito, né!!?" Afirmei que busco apreender de Marx o que for possível para a minha caminhada existencial, posto que nunca deixei de acreditar em uma sociedade melhor.


Sobre o autor
Ernande Arcanjo é assessor da Pastoral da Juventude, Militante na Consulta Popular e estudante de Serviço Social
ernandearcanjo.blogspot.com.br

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