sábado, 1 de novembro de 2014


"Estou preocupado, porque ela será acolhida pela Mãe Gaya que geme diante de tanto opressão".



Enquanto pai, na expectativa da vinda de uma criança que, moldada pelas mãos do criador, sendo sangue do meu sangue me deixa, por um lado, extasiado, mas por outro cheio de preocupação. Enquanto pai, a grandiosidade biológica; enquanto educador, as incertezas diante de uma sociedade de tamanhos desafios.


Quando penso no mundo em que a acolherá sei que ele poderia ser bem melhor, sinto-me, por isso, envergonhado. Reflito bastante o quanto a vida no planeta está ameaçada ea pior ainda,  é a tristeza em saber que tudo é devido à ação humano. Eis o desafio: Ensinar a um humano a ser humano numa sociedade tão desumanizada. Mas, tentarei! Sei que a responsabilidade não será só minha, mas de todo um meio, de toda esta sociedade! Sei que na limitação da sua família, nos encontraremos no mundo, porque não a quero apenas numa casa pequena, presa as paredes e grades, mas para pertencer ao meio, ser para e no mundo. Todavia, todo o esforço de minha parte será em cuidar, assim como pedira o criador na metáfora do Gênesis.
Estou preocupado, porque ela será acolhida pela Mãe Gaya que geme diante de tanto opressão, mas sempre aberta para os seus filhos, mesmo, muitas vezes, sendo esses tão injustos. Sentirei muito por não mais poder oferecer aquelas mangueiras frondosas cobrindo o caminho onde passávamos para a escola e descansávamos debaixo, além de chupar as mangas caídas sem que algum proprietário nos impedisse. Aqueles campinhos onde a gente brincava à tardinha dos quais, aqueles que não estão cercados, foram comprados pelas empreiteiras; as brincadeiras fora de casa, quando bem distraídos sem medo dos carros e motos, já não podemos mais.
Nossa criança encontrará um amontoado de casas com pessoas exploradas, trabalhadores ganhando míseros salários, jovens drogando-se para afugentarem-se das dores frente à negação do sistema; índios pagando para morar em sua própria terra, tão perto de uma vasta terra dominada por latifundiários e aos poucos sendo vendidas. Temos, agora, bem próximo de nossa casa condomínios dos quais desconhecemos os habitantes até seus rostos. Talvez porque costumam sair de carros. Também, temos comércios cuja proporção só víamos pela TV há pouco tempo.
Aquela terra que recebemos por Deus para cultivar e plantar não poderemos mais oferecer. Que este esta criança nos perdoe. Mas, como pai e educador não sou de desistir! Mostrarei a ela, através do pequeno quintal de casa, a lua quando sempre aparecer para dizê-la que o mundo é muito mais e a vida é bela, que os sonhos de um mundo melhor não podem morrer jamais, assim,  como como a lua que não deixa de surgir ao alto. Quem sabe, além de termos um humano novo nascerá novo humano como tantos que insistem em defender a vida.

Sobre o autorErnande Arcanjo é assessor da Pastoral da Juventude, participa do Centro de Estudo Bíblicos, Militante na Consulta Popular e estudante de Serviço Social.                                                    
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